A ação das capacidades dinâmicas na formação e evolução dos modelos de negócio: Um estudo longitudinal em uma empresa de varejo de comércio eletrônico.

CARLOS HIROSHI USIRONO

Resumo


De um lado, a prática, representada pela comunidade gerencial, mostra que modelos de negócios são instrumentos que podem auxiliar as empresas a planejar, desenhar e a forjar a sua lógica de operação com objetivo de obter um desempenho sustentável. Além disso, em função das novas exigências de mercado, de clientes e de mudanças tecnológicas, os modelos de negócio necessitam ser continuamente renovados. Do outro lado, a academia propõe que a teoria das capacidades dinâmicas explica a heterogeneidade e manutenção de desempenho das empresas a partir da construção e renovação contínua de sua base de competências e recursos ao longo do tempo. Porém, estudos que associam e examinam as transformações dos modelos de negócios em função das ações gerenciais foram parcamente observados e teorizados. Este estudo contribui com a solução desta questão analisando como os modelos de negócios são criados, modificados e combinados a partir da ação de capacidades dinâmicas. Examina-se este fenômeno em profundidade através de um estudo de caso único longitudinal de uma empresa de varejo focada em e-commerce. Identifica-se a evolução de cinco modelos de negócio e respectivas variações considerando-os como unidades de análise. Em cada uma delas, examina-se os seus processos de negócio onde são identificadas as suas respectivas capacidades operacionais e evoluções a partir das capacidades dinâmicas atuantes. Verifica-se que no processo de evolução de modelos de negócios, existe atuação de capacidades dinâmicas que podem interferir nas mudanças. Observa-se também que para este caso, o aspecto rotinizado das capacidades dinâmicas fez um papel pouco relevante nas transformações, confirmando que as codificações de processos, importantes elementos para o desenvolvimento de produtos, não foram significativos. O estudo mostrou que modelos de negócio, considerados como unidades de análise, facilitam a visualização da lógica do negócio e atuam como mediadores para acionar a evolução de capacidades operacionais, além de auxiliar o gestor a priorizar com maior clareza as suas ações para a transformação. Como principais achados, confirma-se a existência dos clusters de capacidades dinâmicas responsáveis pela identificação de oportunidades, criação e modificação dos modelos de negócios e a sua transformação contínua. Mostra-se que modelos de negócio são criados, modificados e combinados pela ação de capacidades dinâmicas. Ao serem desenvolvidos não necessariamente eliminam uns aos outros, pelo contrário, podem evoluir em paralelo uma vez que possuem capacidades operacionais e recursos em comum que sofrem diretamente a ação das mudanças de modelos de negócio. A posse das capacidades dinâmicas que foram determinantes para a base da evolução da empresa, eram limitadas aos donos da empresa e, portanto, não eram passíveis de aquisição. Os resultados alinham-se com a perspectiva de evolução, acúmulo de experiência e conhecimento, base da teoria de capacidades organizacionais. Contribui-se com o incremento do diálogo entre instrumentos de gestão e a teoria de capacidades dinâmicas e ao mesmo tempo apresenta-se aos gestores a aplicabilidade da teoria de capacidades organizacionais para inovar e reduzir obsolescência de seus modelos de negócio e de sua base de ativos.


Palavras-chave


Modelos de negócio; Capacidades dinâmicas; Capacidades Operacionais; Estudo longitudinal.

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Revista de Administração da Unimep. ISSN 1679-5350. Publicação eletrônica vinculada ao Programa de Pós-graduação stricto sensu em Administração da Universidade Metodista de Piracicaba.