MODELO DE NEGÓCIO SOCIAL: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO DAS UNIVERSIDADES CONFESSIONAIS. DOI: 10.15600/1679-5350/rau.v14n1p114-142

Luiz Carlos Lemos Júnior, Dimária Silva Meirelles

Resumo


O ensino superior no Brasil em sua fase contemporânea ganhou novos contornos em virtude de mudanças econômicas e institucionais. Neste contexto, o presente artigo tem como objetivo central identificar as especificidades do modelo de negócio adotado por instituições confessionais de educação. O estudo é desenvolvido a partir do modelo intitulado como RCOV (Recursos, Competências, Organização e Valor), que é proposto por Demil e Lecocq (2010), onde modelo de negócio é descrito a partir de três dimensões: recursos de origem externa ou interna, associados a competências sob a forma de habilidades e conhecimentos desenvolvidos; estrutura organizacional que abrange atividades e relacionamentos estabelecidos com outras organizações; e a proposição de valor que a empresa entrega aos clientes na forma de seus produtos e serviços. Paralelamente, utiliza-se o modelo proposto por Yunus et al. (2010) onde afirma-se que projetos ou negócios sociais geridos estrategicamente, podem realmente valer a pena, tanto social como financeiramente. A pesquisa realizada é de natureza qualitativa básica e está pautada no paradigma interpretativista. Adota-se a técnica de entrevista semiestruturada para a coleta das informações necessárias ao desenvolvimento do estudo pois, segundo Bryman (1992), esta técnica é considerada o caminho alternativo entre a rigidez da entrevista dirigida e a falta de direcionamento da entrevista não dirigida. A pesquisa de campo foi realizada por meio de entrevistas com gestores e ex-gestores em duas importantes universidades confessionais e filantrópicas, situadas no estado de São Paulo: a Universidade Presbiteriana Mackenzie e a Universidade Metodista de Piracicaba. As gravações realizadas no estudo foram transcritas na íntegra e seus conteúdos analisados de forma qualitativa e descritiva para, de acordo com a abordagem adotada por Flores (1994), subdividi-los em categorias e subcategorias. Foi identificado um importante framework para essas instituições, uma vez que o seu modelo de negócio é gerido estrategicamente sem permitir a perda de suas características de natureza essencialmente social. Os resultados indicam que o modelo de negócio, embora atenda plenamente as dimensões propostas pela literatura para ser classificado como modelo de negócio social, acaba por adotar como vertente estratégica as dimensões apresentadas por Demil e Lecocq (2010). O perfeito funcionamento dessa junção entre duas proposições teóricas só foi possível pelo fato de as instituições carregarem em seu bojo a marca da subjetividade, que lhes é imposta pela confessionalidade. Conclui-se, portanto, que a confessionalidade não só orienta o modelo de negócio, mas constitui-se em elemento fundamental ao seu funcionamento e a sustentação do framework identificado pela pesquisa.

Palavras-chave


Modelo de Negócio Social; Universidade Confessional; Filantropia; Criação de Valor; Educação Superior.

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DOI: https://doi.org/10.15600/rau.v14i1.939

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